Bem vindos ao blog do Alemanhacast! Este é o primeiro post. E como tema inaugural, nada melhor do que as mais notáveis descobertas de alguém que chega pela primeira vez na terra da linguiça. Este alguém, no caso, sou eu, Gabriele Tschá, que vos escreve. 🙂

Gostaria de deixar claro, desde já, que este relato é baseado em pura observação e percepção, completamente influenciadas por minhas próprias experiências anteriores e pelo momento que eu estava então vivendo: as férias de março de 2017.

Antes disso, tudo o que eu sabia sobre a Alemanha era o que eu tinha ouvido falar:

  • de alemães que encontrei em viagens;
  • de conhecidos que já haviam viajado para a Alemanha ou trabalhado em empresas alemãs;
  • da minha professora de língua alemã, que é uma pessoa alemã e mora no Brasil;
  • da internet.

Estas informações, porém, eram recebidas passivamente. Algumas, inclusive, eu achava até difícil de acreditar. Mas estar no lugar, viver e ver as coisas com os próprios olhos, sempre nos leva a situações curiosas, que despertam nossos sentidos e fazem acontecimentos comuns parecerem extraordinários.

E são esses os detalhes que mais lembramos, e que continuamos contando para os amigos, mesmo meses depois da viagem. Por isso, aqui estou eu, mais de um ano depois, já morando na Alemanha há quase cinco meses, e ainda contando quais foram os pontos que mais me chamaram a atenção na primeira vez que visitei o país da Oktoberfest.

Clima

Schlossplatz, Stuttgart. O sol brilhando. Em março de 2017.
No início de março de 2017, o sol brilhava e as temperaturas eram amenas em Stuttgart.

Era início de março, então ainda oficialmente inverno. Portanto, eu esperava temperaturas próximas de zero, vento gelado, paisagens cinzas e talvez até um pouco de neve. Mas a verdade é que eu cheguei até a sentir calor em algumas situações. Fez sol durante os três dias que estive em Stuttgart e a temperatura à tarde ficava em torno dos 14°C. A sensação térmica, porém, devia ser até um pouco maior, porque houve momentos em que passei tranquilamente só com uma blusa de manga fina. Um fator que com certeza colaborou para isso foi o ar extremamente seco. Senti minha garganta irritada e os lábios rachados. O lado bom dessa história é que aprendi uma palavra nova, porque tive que comprar um “Lippenbalsam” na farmácia. 😛

Transporte

Estação de U-Bahn (trem urbano/metrô na Alemanha), com algumas pessoas aguardando o transporte e um trem passando em alta velocidade.
Estação de trem/metrô na Alemanha

Durante nossa breve estadia em Stuttgart, nos deslocamos apenas usando os trens urbanos, também conhecidos como U-Bahn e S-Bahn. No primeiro dia, eu estava completamente perdida, pois o sistema tarifário é complexo. O mapa da cidade é todo dividido em zonas e existem ainda diferentes preços para uma viagem, várias viagens, um dia, vários dias… Então, antes de comprar seu ticket, você tem que saber exatamente para onde vai, por onde vai passar e quantas vezes vai viajar. À primeira vista, parece tudo uma grande confusão. Mas não é difícil desvendar a lógica alemã e, a partir do momento que você entende como funciona, sua mente se abre para um novo mundo. No segundo dia eu já era expert em tarifas de ticket de U-Bahn. E o melhor: o mesmo sistema funciona igualzinho em qualquer cidade alemã, então você só precisa aprender uma vez! 😀

Semáforos

Semáforo para Pedestres verde, indicando que está permitido atravessar a rua.
Semáforo para Pedestres verde, indicando que está permitido atravessar a rua.

Falando em transporte, eu não poderia deixar de comentar sobre um hábito muito “alemão”: esperar o semáforo de pedestres (aquele bonequinho) ficar verde para, só então, atravessar a rua. Eu já havia ouvido falar que, na Alemanha, esta era uma regra que todos obedeciam, e achava isso uma “aberração”. Apesar de ser o correto, se você parar pra pensar bem. Pois bem, o fato é que mesmo já conhecendo a história, ver com os próprios olhos é sempre mais impactante. E é verdade. Os alemães realmente esperam o bonequinho ficar verde para atravessar, mesmo quando é uma reta e se vê ao longe que não vem nenhum veículo. Vi gente fazendo isso até de madrugada. Bizarro? Algumas coisas a se considerar: Primeiro, os semáforos são eficientes. Em ruas menos movimentadas, você aperta o botão e ele muda quase que imediatamente para o verde. Segundo: ações influenciam ações. Mesmo me sentindo meio boba por esperar para atravessar uma rua vazia, eu via que todos esperavam. Então, eu tinha vergonha de ser a transgressora que infringiria a lei, e esperava também. Por fim, não levava mais que 10 segundos, e eu me sentia até mais segura.

Comida

Mesa com um prato servido de schnitzel e batatas fritas, acompanhado de pão e cerveja.
Schnitzel, prato servido no restaurante da Fernsehturm (a torre de televisão) em Stuttgart.

Tenho dois adjetivos para a comida alemã: barata e gostosa. Nós ficamos hospedados em um Airbnb. Então nosso café da manhã, e às vezes também a janta, eram coisas compradas no supermercado. Fazíamos a festa: Brezel, Berliner, cerveja, leite, café, suco natural, maionese, presunto. Tudo isso por incríveis… 6 euros. Mesmo convertendo para reais ainda era barato. Lógico que se você vive no lugar e vai comprar comida de verdade, talvez a conta seja um pouco mais alta. Mas estávamos de férias e era muito bom pagar uma miséria nesses lanches e outras porcarias. E mesmo comendo em restaurantes, encontramos refeições deliciosas por preços justos. E por mais simples que os pratos fossem, eles eram sempre muito bem preparados, com a quantidade exata de tempero e o cozimento no ponto certo.

Eficiência

Tudo isso que eu mencionei acima, me leva ao último ponto que me chamou a atenção em minha primeira viagem à Alemanha: a eficiência. Não querendo ser cliché nem me prender a estereótipos, mas isso realmente me impressionou. Não apenas no serviço público, nas atrações turísticas, ou grandes obras e eventos, mas em pequenas coisas do dia-a-dia. O rapaz do Airbnb que deixou uma prateleira na geladeira e outra no banheiro separadas para nós, o pessoal que trabalha no caixa do supermercado no sábado à noite com um sorriso no rosto, o garçom que me atendeu com rapidez no almoço de domingo, a forma imediata e precisa com que a atendente da farmácia respondeu a uma pergunta minha. Todas essas pessoas, esses simples cidadãos alemães, fazendo seus trabalhos com vontade e disposição, não importando o horário do dia ou o dia da semana. Sem aquela simpatia exagerada, mas com cortesia e respeito. É claro que existem excessões, mas como uma primeira impressão, bem geral e superficial, minha experiência foi bastante positiva.

Enfim, eu gostaria de reforçar que esta é uma experiência muito pessoal e pode ser completamente diferente para cada um, dependendo da época em que você viaja, das cidades que visita e até das suas vivências anteriores.

Então eu quero saber: quais foram as coisas que mais chamaram a atenção para você, leitor, em sua primeira vez na Alemanha? E caso você ainda não tenha tido a oportunidade de visitar este país, quais são as suas expectativas e as histórias mais excêntricas que você já ouviu? Participe. Não existe resposta certa ou errada (rs).

E acompanhe o blog para conhecer mais curiosidades e informações sobre as terras germânicas. 😉

 

Autor: Gabriele Tschá

Comentários

  1. Rosimeri Kafels Effting Responder

    Minha primeira experiência está próxima. Vou relatar aqui as minhas observações. Até agosto.

  2. Ivone Teske Krieger Responder

    Olá Gabi! Devo dizer honestamente que tive as mesmas impressões que você deste país fantástico….diziam que o povo alemão é grosso…. mas não é… ele é como você descreveu bem: cortês e respeitoso! E principalmente adoram os brasileiros que se comunicam em alemão…..

    • Oi, Ivone. É verdade, este ponto que você mencionou sobre o idioma é muito importante também. Os alemães reconhecem que não é fácil aprender a língua deles, e apreciam quando um estrangeiro faz esse esforço. 🙂 Obrigada pelo comentário, e continue visitando nosso blog para saber mais sobre a Alemanha. :*

  3. Minha primeira experiência na Alemanha foi na copa de 2006, tive a mesma percepção que você, mas sempre ouvia de alguns brasileiros, “mas era copa do mundo”. Logo em seguida alguns parentes foram morar na Alemanha e lá estão até hoje e segundo ele é exatamente o que você mencionou. Obs: os brasileiros que comentaram nunca foram na Alemanha heheheh

    • Fernanda Batista Preis Responder

      Olá Rodrigo, que bom poder dividir esta experiência com você!! E continue acompanhando nosso blog e podcast, toda semana teremos novidades! 😉

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